Tireoidite de Hashimoto: o que é, quais são os sintomas, como funciona a doença e quais são os tratamentos?
Entenda o que é a tireoidite de Hashimoto, como ocorre a doença, quais são os sinais e sintomas, como é feito o diagnóstico, quais tratamentos existem e conheça os principais mitos e verdades.
Fabíola Lima 17/10/2026

IMAGEM ILUSTRATIVA GERADA POR INTELIGENCIA ARTIFICIAL
Introdução
Cansaço frequente, queda de cabelo, dificuldade para perder peso, pele ressecada e sensação de frio podem ser sinais de alterações na tireoide. Em alguns casos, esses sintomas estão relacionados à tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que pode comprometer gradualmente o funcionamento dessa importante glândula.
Embora seja uma condição crônica, a doença pode ser acompanhada e controlada com o tratamento adequado. O problema é que muitas pessoas convivem com sintomas por bastante tempo sem saber sua origem, enquanto outras encontram informações contraditórias sobre alimentação, medicamentos e possíveis formas de cura.
Neste artigo do Saúde Revelada, você vai entender como a tireoidite de Hashimoto se desenvolve, quais são seus principais sinais e sintomas, como os médicos fazem o diagnóstico, quais tratamentos estão disponíveis e o que realmente é verdade sobre essa condição.
1. O que é a tireoidite de Hashimoto?
A tireoidite de Hashimoto, também conhecida como tireoidite linfocítica crônica ou tireoidite autoimune, é uma doença na qual o sistema imunológico passa a atacar a própria glândula tireoide.
A tireoide é uma pequena glândula localizada na parte anterior do pescoço, com formato semelhante ao de uma borboleta. Apesar de seu tamanho, ela desempenha um papel fundamental na regulação do metabolismo, na produção de energia e no funcionamento de diversos órgãos.

IMAGEM ILUSTRATIVA GERADA POR INTELIGENCIA ARTIFICIAL
Essa glândula produz principalmente dois hormônios:
- T4 (tiroxina): o principal hormônio liberado pela tireoide.
- T3 (triiodotironina): a forma hormonal mais ativa, que atua nas células do organismo.
Esses hormônios participam do controle da temperatura corporal, dos batimentos cardíacos, do funcionamento intestinal, da atividade cerebral e do gasto energético.
Na doença de Hashimoto, a inflamação provocada pela resposta imunológica pode danificar progressivamente as células da tireoide. Com o passar do tempo, a glândula pode perder a capacidade de produzir quantidades suficientes de hormônios, levando ao hipotireoidismo.
Entretanto, nem todas as pessoas com Hashimoto apresentam hipotireoidismo logo após o diagnóstico. Algumas permanecem com a função tireoidiana normal durante anos e precisam apenas de acompanhamento médico periódico.
2. Como acontece a fisiopatologia da doença de Hashimoto?
A fisiopatologia explica os mecanismos pelos quais uma doença se desenvolve e provoca alterações no organismo. No caso da tireoidite de Hashimoto, o processo envolve uma resposta imunológica inadequada contra estruturas da própria tireoide.
O sistema imunológico começa a reconhecer a tireoide como alvo
Em condições normais, o sistema imunológico protege o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes potencialmente prejudiciais. Nas doenças autoimunes, esse sistema perde parte de sua capacidade de distinguir corretamente os componentes do próprio organismo daqueles que representam uma ameaça.
Na tireoidite de Hashimoto, fatores genéticos e ambientais podem contribuir para essa alteração da tolerância imunológica. A causa exata não é totalmente conhecida.
Ocorre a produção de autoanticorpos
O organismo pode produzir anticorpos contra componentes da tireoide, especialmente:
- Anticorpos antiperoxidase tireoidiana (anti-TPO): dirigidos contra a enzima tireoperoxidase, importante para a produção dos hormônios tireoidianos.
- Anticorpos antitireoglobulina (anti-Tg): dirigidos contra a tireoglobulina, uma proteína utilizada na síntese e no armazenamento dos hormônios tireoidianos.
Esses anticorpos ajudam a identificar a origem autoimune da doença. Entretanto, a lesão da glândula também envolve a ação de células do sistema imunológico, especialmente os linfócitos T, que participam da inflamação e da destruição progressiva das células tireoidianas.
A inflamação prejudica as células da tireoide
À medida que a resposta imunológica persiste, células inflamatórias se acumulam no tecido tireoidiano. Esse processo pode provocar alterações na estrutura da glândula e reduzir sua capacidade funcional.
Em determinadas fases, a tireoide pode aumentar de tamanho, formando um bócio. Em outras situações, pode ocorrer perda gradual de tecido funcional.
A produção hormonal pode diminuir
Quando a glândula deixa de produzir hormônios em quantidade suficiente, a hipófise, uma estrutura localizada na base do cérebro, tende a aumentar a liberação do hormônio estimulante da tireoide, conhecido como TSH.
O TSH funciona como um sinal para estimular a tireoide a trabalhar.
Inicialmente, o TSH pode aumentar enquanto o T4 livre permanece dentro dos valores de referência. Essa situação pode caracterizar o hipotireoidismo subclínico.
Quando a produção hormonal se torna insuficiente, o T4 livre pode diminuir e o TSH geralmente aumenta, caracterizando o hipotireoidismo primário manifesto.
É nessa fase que muitos pacientes começam a perceber sintomas como cansaço, constipação intestinal, pele seca, sensibilidade ao frio e lentidão física ou mental.
Em resumo: a doença começa com uma resposta autoimune contra a tireoide, provoca inflamação e pode levar à perda progressiva da capacidade de produzir hormônios. Esse processo costuma ser lento e varia de pessoa para pessoa.
3. Quais são os sinais e sintomas da tireoidite de Hashimoto?
Os sintomas da doença variam de acordo com a fase em que ela se encontra e com o grau de comprometimento da função tireoidiana.
Nas fases iniciais, a pessoa pode não apresentar nenhuma manifestação evidente. Quando ocorre hipotireoidismo, os sintomas tendem a se tornar mais perceptíveis.
Cansaço excessivo e falta de energia
A sensação persistente de fadiga é uma das queixas mais comuns. Mesmo após uma noite de sono, a pessoa pode acordar cansada, apresentar pouca disposição e sentir dificuldade para realizar atividades habituais.
Essa manifestação está relacionada, entre outros fatores, à redução da ação dos hormônios tireoidianos sobre o metabolismo.
Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer
A diminuição da atividade hormonal pode reduzir o gasto energético e contribuir para o aumento do peso. Também pode ocorrer retenção de líquidos.
Entretanto, o ganho de peso relacionado ao hipotireoidismo costuma ser variável, e nem todo aumento de peso é causado pela tireoide.
Queda de cabelo e alterações na pele
A pessoa pode perceber fios mais frágeis, queda de cabelo e ressecamento da pele. Em alguns casos, as unhas também ficam quebradiças.
Essas manifestações não são exclusivas da doença e podem ter outras causas, como deficiências nutricionais, alterações hormonais ou problemas dermatológicos.
Sensibilidade aumentada ao frio
Mesmo em ambientes nos quais outras pessoas se sentem confortáveis, o paciente pode sentir frio excessivo. Isso ocorre porque os hormônios tireoidianos participam da regulação da produção de calor pelo organismo.
Alterações intestinais
A constipação intestinal é uma manifestação frequente do hipotireoidismo. O trânsito intestinal pode ficar mais lento, provocando evacuações menos frequentes e dificuldade para eliminar as fezes.
Dores musculares e articulares
Algumas pessoas apresentam dores musculares, rigidez, câimbras, desconforto nas articulações e redução da tolerância ao esforço físico.
Essas manifestações podem afetar a qualidade de vida, especialmente quando aparecem associadas ao cansaço.
Alterações de humor e concentração
O hipotireoidismo pode contribuir para desânimo, dificuldade de concentração, lentidão do raciocínio e problemas de memória. Algumas pessoas também apresentam sintomas depressivos.
É importante lembrar que essas manifestações podem estar relacionadas a diferentes condições de saúde e precisam ser avaliadas individualmente.
Alterações menstruais e reprodutivas
Mulheres com hipotireoidismo podem apresentar menstruação irregular ou mais intensa. Alterações na função tireoidiana também podem interferir na fertilidade e na evolução da gestação, especialmente quando não são tratadas adequadamente.
Aumento da tireoide
Em algumas pessoas, a glândula aumenta de tamanho, causando um inchaço na parte anterior do pescoço. Essa alteração é conhecida como bócio.
Quando o aumento é significativo, pode provocar sensação de pressão no pescoço, desconforto ou dificuldade para engolir.
Outros sinais que merecem atenção
Dependendo da intensidade do hipotireoidismo, também podem ocorrer:
- Inchaço no rosto ou nas extremidades.
- Voz mais rouca.
- Redução da frequência cardíaca.
- Dificuldade para realizar exercícios.
- Sonolência e lentidão.
- Alterações nos níveis de colesterol.
Nem todas as pessoas apresentam esses sintomas, e sua presença isolada não confirma o diagnóstico de Hashimoto.
4. O que causa a doença de Hashimoto?
A causa exata da tireoidite de Hashimoto ainda não é totalmente esclarecida. Acredita-se que a doença surja da interação entre predisposição genética, funcionamento do sistema imunológico e fatores ambientais.
Predisposição genética
Pessoas com familiares que apresentam doenças autoimunes ou problemas da tireoide podem ter maior probabilidade de desenvolver a condição.
Isso não significa que a doença será necessariamente transmitida de pais para filhos, mas indica que fatores hereditários podem contribuir para o risco.
Sexo e idade
A tireoidite de Hashimoto é mais frequente em mulheres, embora também possa afetar homens, adolescentes e crianças.
Ela pode surgir em diferentes fases da vida, e o risco tende a aumentar com a idade.
Outras doenças autoimunes
A presença de outras doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, doença celíaca e algumas doenças reumatológicas, pode estar associada a uma maior probabilidade de desenvolver Hashimoto.
Fatores ambientais
Pesquisas investigam a participação de diferentes fatores ambientais na doença, mas não existe uma causa única identificada para todos os pacientes.
A ingestão excessiva de iodo, por exemplo, pode prejudicar a função tireoidiana em pessoas suscetíveis. Por isso, suplementos contendo altas doses desse mineral não devem ser utilizados sem orientação profissional.
5. Como é feito o diagnóstico da tireoidite de Hashimoto?
O diagnóstico é realizado por um profissional de saúde, geralmente com base na avaliação clínica e em exames laboratoriais.
Como os sintomas são semelhantes aos de diversas outras condições, não é possível confirmar a doença apenas pela observação dos sinais.
Exame de TSH
O TSH é um dos principais exames utilizados para avaliar a função da tireoide.
Quando a glândula produz menos hormônios do que o necessário, o TSH geralmente aumenta, pois a hipófise tenta estimular a produção hormonal.
Dosagem de T4 livre
O T4 livre ajuda a identificar a quantidade de hormônio tireoidiano disponível na circulação.
A interpretação conjunta do TSH e do T4 livre permite avaliar se a função da tireoide está normal, se existe hipotireoidismo subclínico ou se o hipotireoidismo já está estabelecido.
Pesquisa de anticorpos
Os exames de anti-TPO e, em determinadas situações, anti-Tg podem ajudar a identificar a origem autoimune da alteração.
É possível apresentar anticorpos positivos e manter a função tireoidiana normal. Portanto, anticorpos elevados não significam, por si só, que a pessoa precise iniciar tratamento hormonal.
Ultrassonografia da tireoide
A ultrassonografia pode ser indicada quando há aumento da glândula, nódulos, alterações ao exame físico ou dúvidas diagnósticas.
O exame pode demonstrar características compatíveis com inflamação, mas não é obrigatório para todos os pacientes.

IMAGEM ILUSTRATIVA GERADA POR INTELIGENCIA ARTIFICIAL
A necessidade de cada exame deve ser definida pelo médico conforme o histórico clínico e os resultados já disponíveis.
6. Qual é o tratamento para a doença de Hashimoto?
O tratamento depende principalmente da função da tireoide, da intensidade dos sintomas e das condições clínicas do paciente.
É importante esclarecer que não existe, atualmente, um tratamento comprovado capaz de eliminar definitivamente a predisposição autoimune em todos os pacientes. Entretanto, quando a doença provoca hipotireoidismo, a reposição hormonal costuma controlar eficazmente as alterações decorrentes da deficiência hormonal.
Levotiroxina: o principal medicamento
A levotiroxina é um medicamento que contém uma forma sintética do hormônio T4, equivalente ao produzido naturalmente pela tireoide.

IMAGEM ILUSTRATIVA GERADA POR INTELIGENCIA ARTIFICIAL
Ela é utilizada para substituir o hormônio que a glândula deixou de produzir em quantidade suficiente.
Quando existe indicação, o tratamento pode ajudar a normalizar os exames hormonais e melhorar sintomas como cansaço, constipação, sensibilidade ao frio e alterações metabólicas.
A dose deve ser individualizada pelo médico e ajustada conforme os exames, a idade, o peso, outras doenças, a gestação e o uso de medicamentos concomitantes.
Muitas pessoas com hipotireoidismo decorrente de Hashimoto precisam utilizar levotiroxina por toda a vida.
Como tomar a levotiroxina corretamente?
A absorção do medicamento pode ser prejudicada por alimentos, suplementos e alguns outros medicamentos.
Em geral, recomenda-se tomar a levotiroxina com água, em jejum, aguardando de 30 a 60 minutos antes de comer. Outra possibilidade, para determinados pacientes, é utilizá-la ao deitar, desde que exista um intervalo adequado após a última refeição e que a rotina seja mantida de forma consistente.
Suplementos de cálcio e ferro podem interferir na absorção e geralmente precisam ser tomados com intervalo de várias horas, conforme orientação profissional.
O paciente não deve alterar a dose, interromper o tratamento ou trocar a forma de administração sem conversar com o profissional responsável.
E quando os hormônios estão normais?
Pessoas com anticorpos positivos, mas com função tireoidiana preservada, geralmente não precisam utilizar levotiroxina apenas para reduzir os anticorpos.
Nesses casos, o acompanhamento periódico do TSH e, quando indicado, do T4 livre permite identificar possíveis alterações futuras.
Em situações de hipotireoidismo subclínico, a decisão de tratar depende de fatores como o nível de TSH, os sintomas, a idade, a presença de outras condições e a possibilidade de gravidez.
Alimentação e acompanhamento
Uma alimentação equilibrada contribui para a saúde geral, mas não substitui a reposição hormonal quando ela é necessária.
O consumo adequado de nutrientes deve ser buscado preferencialmente por meio da alimentação. A suplementação de selênio, iodo, vitamina D, ferro ou outros nutrientes deve ser considerada individualmente, conforme a avaliação profissional.
Também é importante acompanhar regularmente a função tireoidiana para verificar se o tratamento está adequado e se há necessidade de ajustes.
7. Alimentação para quem tem Hashimoto: o que é importante saber?
A alimentação costuma gerar muitas dúvidas entre as pessoas diagnosticadas com a doença.
Não existe uma dieta universal comprovada que cure a tireoidite de Hashimoto ou impeça sua progressão em todos os pacientes.
É necessário retirar o glúten?
Não necessariamente. A retirada do glúten é indicada para pessoas com doença celíaca e pode ser necessária em outras situações específicas avaliadas por profissionais de saúde.
Para pessoas com Hashimoto sem doença celíaca ou outra indicação clínica, não há evidência suficiente para recomendar uma dieta sem glúten de forma universal.
É necessário evitar todos os alimentos industrializados?
Não. O mais importante é manter uma alimentação equilibrada, com variedade de alimentos, vegetais, frutas, fontes de proteínas, fibras e gorduras de boa qualidade.

IMAGEM ILUSTRATIVA GERADA POR INTELIGENCIA ARTIFICIAL
Reduzir o consumo excessivo de produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras pouco saudáveis pode favorecer a saúde geral, mas isso não representa uma cura específica para Hashimoto.
O iodo pode ser prejudicial?
O iodo é necessário para a produção dos hormônios tireoidianos. Entretanto, o consumo excessivo pode agravar alterações da tireoide em pessoas suscetíveis.
Por isso, é importante evitar suplementos de iodo e produtos com altas concentrações desse mineral sem orientação profissional.
Suplementos podem substituir o medicamento?
Não. Suplementos nutricionais não substituem a levotiroxina quando existe deficiência hormonal que exige tratamento.
A utilização indiscriminada de suplementos pode trazer riscos, provocar interações medicamentosas ou resultar em excesso de determinados nutrientes.
8. Mitos e verdades sobre a doença de Hashimoto
A seguir, confira algumas afirmações comuns sobre a doença e entenda o que a ciência permite concluir.
Mito ou verdade: Hashimoto é a mesma coisa que hipotireoidismo?
Mito. A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune que pode provocar hipotireoidismo. Entretanto, uma pessoa pode ter Hashimoto e manter os níveis hormonais normais durante anos.
Mito ou verdade: Toda pessoa com Hashimoto precisa tomar levotiroxina?
Mito. A indicação depende principalmente da função tireoidiana e da avaliação clínica. Pessoas com anticorpos positivos e hormônios normais geralmente precisam apenas de acompanhamento.
Mito ou verdade: Hashimoto tem cura definitiva?
Mito, com uma ressalva importante. Não existe uma cura comprovada que elimine definitivamente a doença autoimune em todos os pacientes. Contudo, o hipotireoidismo associado à doença pode ser controlado com reposição hormonal adequada, permitindo uma boa qualidade de vida.
Mito ou verdade: Quem tem Hashimoto sempre engorda?
Mito. O hipotireoidismo pode contribuir para o aumento de peso, mas isso não acontece da mesma forma com todas as pessoas. O peso também é influenciado pela alimentação, atividade física, sono, medicamentos e outros fatores.
Mito ou verdade: A doença pode provocar queda de cabelo?
Verdade. A queda de cabelo pode ocorrer quando existe comprometimento da função tireoidiana. Entretanto, também pode estar relacionada a outras causas, e sua persistência merece avaliação médica.
Mito ou verdade: Anticorpos elevados significam que a doença está piorando?
Mito. Os anticorpos ajudam a identificar a autoimunidade, mas seus valores isolados não indicam com precisão a gravidade da doença nem determinam a dose do tratamento. O acompanhamento costuma se concentrar na função tireoidiana e na avaliação clínica.
Mito ou verdade: É possível ter Hashimoto sem apresentar sintomas?
Verdade. Algumas pessoas descobrem a doença por meio de exames realizados por outros motivos. A função tireoidiana pode permanecer normal por um período prolongado.
Mito ou verdade: Retirar o glúten cura Hashimoto?
Mito. Não há evidência suficiente para afirmar que uma dieta sem glúten cure a doença em todas as pessoas. Essa restrição é importante principalmente quando existe uma indicação clínica, como a doença celíaca.
Mito ou verdade: A levotiroxina pode ser interrompida quando os sintomas melhoram?
Mito. A melhora dos sintomas não significa necessariamente que a tireoide voltou a funcionar normalmente. A interrupção sem orientação pode provocar o retorno do hipotireoidismo e de suas complicações.
Mito ou verdade: A doença pode afetar a gravidez?
Verdade. O hipotireoidismo não controlado pode aumentar os riscos durante a gestação e afetar o desenvolvimento fetal. Mulheres que planejam engravidar ou já estão grávidas devem conversar com o médico sobre a avaliação e o controle da função tireoidiana.
9. Quais complicações podem ocorrer quando o hipotireoidismo não é tratado?
Quando o hipotireoidismo associado à doença de Hashimoto permanece sem tratamento adequado, podem surgir complicações que afetam diferentes sistemas do organismo.
Entre elas estão:
- Aumento dos níveis de colesterol.
- Maior risco de problemas cardiovasculares.
- Alterações menstruais e dificuldades reprodutivas.
- Complicações durante a gravidez.
- Bócio em alguns pacientes.
- Alterações importantes no funcionamento físico e cognitivo.
Em situações raras e graves, o hipotireoidismo pode evoluir para uma condição chamada coma mixedematoso, uma emergência médica.
É importante destacar que essas complicações não são inevitáveis. O diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento apropriado reduzem significativamente os riscos associados à deficiência hormonal.
10. Quando procurar atendimento médico?
Procure avaliação médica se apresentar cansaço persistente, alterações inexplicadas de peso, sensibilidade excessiva ao frio, queda de cabelo, constipação ou alterações menstruais, especialmente quando vários sintomas aparecem em conjunto.
A presença de inchaço no pescoço, dificuldade para engolir ou alterações persistentes na voz também merece investigação.
Se houver dificuldade para respirar, confusão mental importante, redução acentuada do nível de consciência ou piora intensa do estado geral, procure atendimento de emergência.
Não espere que todos os sintomas apareçam para buscar orientação. O hipotireoidismo pode se desenvolver lentamente, e a avaliação clínica associada aos exames apropriados ajuda a esclarecer a causa das manifestações.
Conclusão
A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune que pode comprometer gradualmente a capacidade da tireoide de produzir hormônios. Embora seja uma condição crônica, o acompanhamento adequado permite identificar alterações precocemente e tratar o hipotireoidismo quando necessário.
Conhecer os sinais e sintomas, compreender a importância dos exames e evitar informações sem respaldo científico são atitudes fundamentais para cuidar da saúde.
Não existe uma dieta ou um suplemento universal capaz de curar Hashimoto, e nem todas as pessoas diagnosticadas precisam iniciar medicamentos imediatamente. O tratamento deve ser individualizado, considerando a função da tireoide, os sintomas e as necessidades de cada paciente.
Informação de qualidade é uma aliada importante na prevenção de complicações e na tomada de decisões conscientes sobre a saúde.
Aviso importante
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado. Em caso de suspeita de doença da tireoide, procure um profissional de saúde qualificado.
Referências científicas
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Hashimoto’s Disease. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/endocrine-diseases/hashimotos-disease
- American Thyroid Association (ATA). Hashimoto’s Thyroiditis. Disponível em: https://www.thyroid.org/hashimotos-thyroiditis/
- American Thyroid Association (ATA). Thyroid Hormone Treatment. Disponível em: https://www.thyroid.org/thyroid-hormone-treatment/
